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Eu tento entender cada onda que vem até os meus pés
Sentir o salgado da boca que fica quando venta nas caminhadas que eu faço na beira do mar saudando cada movimento que o compasso das minhas pernas fazem na areia pra chegar ao infinito desejado e não desejado por algo que pulsa as minhas vísceras
Pulsa, pulsa e pulsa o tempo inteirinho.
O mar é bravo, a maré enche e esvazia.
A solidão é companheira do surfista
A prancha é o apoio do consolo
O estrepe firma os pés ou os pulsos pra dar a certeza que a vida vai continuar quando a onda bater e a correnteza para o fundo serem puxados
O fôlego é sustentável, amargo, rejeitado, odiado, raivoso, temeroso, gelado, comprometedor e por fim limitador.
A maré continua no seu balanço habitual da noite ao dia
Virada da lua ao sol, a um suspiro, a uma dor.
Desejo o meu desejo de viver a minha própria vida
Libertando a minha própria liberdade
Felicitando a minha própria felicidade
Abraçando o meu próprio abraço
Surfando as minhas próprias ondas
E, por fim, vivendo a minha própria vida.
Marina de Andrade (26/08/08)
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Eu caminho na corda bamba
Tento me apoiar ao vento com as pontas do dedo
Mas o vento é transparente e sem consistência
E ele bate no meu cabelo sem perguntar se eu estou gostando
Fazendo o resto que me resta cair ao chão feito uma palha
E o palhaço fazendo malabarismo e rindo de alegria
Porque o tempo continua, e o espaço é tão grande
Que eu me perco nesta corda bamba tentando me equilibrar.
Finalmente caio, minha cabeça roda, perco minha memória
Os meus sentidos, tudo o que faz parte de mim, do meu eu
O ser que sou, era, deixo a ser, penso em ser, e sei lá
Fico atordoada, pensamento acelerado igual um trem bala
Dia passa, passa dia, e o meu corpo vai definhando
Minhas mãos afinando, e tudo gira feito uma Pomba-gira
E ai de me sentar ao chão, abraçar as minhas pernas
Me agonizar de raiva, me perder ainda na risada do palhaço
No tocar do celular, e a sua voz arruinar os meus ouvidos
Nem Kafka iria metamorfosear e plagiai tão bem a criação
Deste corpo contorcido e jogado ao léu, feito uma corda bamba
Enroscada no chão, esperando chover sapos, água suja
E sangrar, sangrar, sangrar e sangrar até o meu corpo acabar
Virar uma borracha e me enterrar aos ossos daquelas pessoas
Que tinham os olhos esbugalhados, a garganta fina e o estômago a roncar de fome.
Eu quero comer os meus sentidos, a minha memória, beber do meu sangue, cheirar do meu cheiro e voltar à corda bamba.
Marina de Andrade
24 de Agosto de 2008
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O sol aparece no entardecer
Ao percebermos que a solidão não é eterna,
No entardecer daquela certeza que ainda
Queima a superfície das retinas
As idéias dão espaço a vontades
E indagações sonoras que
Em dúvidas aparecem
No tempo que passo do teu compasso
Deixa rastros, pedacinhos de papel
Pequenos rabiscos
Quando ao anoitecer
Vem a chuva nos aquecer
Dessas idéias
Marina de Andrade e Rafael Coelho
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Me acalmei
Ai, na cama, viro pra lá, viro pra cá
Sensação de calmaria
De repente, uma agonia
Aflição, dor, desamparo, solidão, desespero, pensamento
Máquina, computador, ondas, pessoas, movimentos, latidos,
Tudo roda, gritos, cheiros misturados, suor, calafrio
Um pulo eu dou
Eu quero voltar e agora é pra valer
Ando pra cá, ando pra lá
O que eu faço
Deus me ilumine
Como assim Deus me ilumine
Eu preciso gastar
Sensação de puro desprazer
Aceleração total
A varanda está bem ali
É rápido
Acaba em um minuto
Mas isso seria covardia do meu próprio ser
Eu quero dormir
Pego o telefone
Aumento a minha dose
Tento de novo
E nada
Aumento a minha dose
Tento de novo e nada
Aumento, aumento, aumento
E nada
É melhor eu sair
Caminhar, gastar, dançar
Ai, Epifania total
Dia seguinte
Não, acordo a noite toda
Dia seguinte não existe
E sim um dia atrás do outro
Dias seguidos
Um único dia
Até que a máquina vai pifando
A Epifania vai pirando
Como assim
Vai se cansando
E adormece
Adormece
Adormece
Adormece
Agonia total.
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Eu tenho um novo desconhecido dentro do meu ser
E um medo de conhecer esse desconhecido
Mesmo assim me entrego para conhecê-lo
Porque é algo íntimo do meu próprio saber
Que chega a doer, me faz confusa
Ao mesmo tempo sem fuga
Da minha própria existência inacabada
E assim eu caminho, caminho, caminho
Numa linha torta, traçando retas com buracos oblíquos
Tentando atravessar a imensidão do infinito
Calculando o tempo precioso que ainda me resta
Me resta ainda todo o tempo do Mundo
Por que ainda me sinto tão jovem, tão madura
E preparada pra sonhar o sonho desejado
Que a maledicência me oferece o tempo inteiro viver
Sim, eu tenho um novo desconhecido dentro do meu ser.
11/06/2008
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A infinidade goza o prazer de senti-lo
Sofrer a dor de uma vertigem
Não saber o porque sente dor do sentir
Eu sinto, ela sente, ele sente, nós sentimos
Mas nunca vou entender o seu sentido
Já que o meu está perdido, desorientado, inacabado
Faltam-me palavras, congregações amorosas
Paladar verdadeiro de uma comida, a vontade de viver
Vento sob o meu cabelo, o calafrio de uma paixão
Tesão pelo sabor de um sorvete, o gelado de um pão de queijo
Calor de uma maresia, a vida se encaixando e não se encaixando
As letras se encontrando, a permissão de um sofrer
Uma sessão no divã
Sim, isso dó e deveria ser proibido
Existir uma Lei contra tudo aquilo que vai de encontro as nossas virtudes de viver
Pois a realidade é crua e dolorosa
Tudo roda, entorta, entorta, entorta e entorta cada vez mais
Pra no final olharmos um pedaço de madeira
E beijar a ponta do tampo que vai fechar sob a nossa testa
Para um eterno viver, deixar rastros ou não viver
É uma escolha se abastecer ou se esconder
É uma escolha se debater ou se embelezar
É uma escolha se encorajar ou se dizer Adeus
A minha escolha, eu ainda não sei
Mas eu sei o que eu sei.
11/06/2008.
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Sinto falta de seu toque na minha mão
Seu sorriso, sua boca
Penso em você a cada instante
Desejo o seu sorriso a cada olhar
Pára com essas intrigas, meu amor
Sua face se expressa sem perdão
Não queira se enganar
A cada instante
Um profundo suspiro
Sempre próxima ao telefone
Me liga, e fica mudo
Esqueça do que foste
Que venham os devires
Futuro absoluto
Sinto falta de seu toque na minha mão
Seu sorriso, sua boca
Penso em você a cada instante
Desejo o seu sorriso a cada olhar
09/10/1999
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Tenho passado por várias tempestades
E parece nunca passar
Quando acho que está tudo bem
vejo que não posso ir além
Sinal de mudanças aí vem
Sinal de perda ai vem
E parece que a cura dessa realeza
É uma tristeza que vive a me torturar
Pra mim o que interessa
É viver em paz
Tenho vontade de dormir
E não acordar mais
Só quando a tempestade passar
Mas ao dormir eu me destruo
E isso não importa mais
( 1996 )
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Tudo se recria na força do querer
Nada se deixa de crer no ter
Ter uma corda pra ser prender
Prender e fazer um nó arder
Arder a dor daquilo que faz sofrer
Sofrer o toque de ser tomado ao meu perder
Perder o objeto desejado, um animal morrer.
Morrer e tentar reviver tempos vividos e viver
Viver devires desejantes, momentos sublimes e dançantes.
Dançantes passos musicais beijos calientes surgirão
Surgirá paz, tranqüilidade, esperança, cantos, cantados, musicados, letrados, gozados de prazer, sublimes, demasiados, apaixonados, detestado, roubados, odiados, amados, perdoados, transformados, modificados, revelados e por fim vivenciados.
18/05/2008.
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